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Burlesco, porém prolixo

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Aventuras e pensamentos sobre os trilhos

A CPTM nossa de cada dia

Publicado por oitopassos em Junho 9, 2008

Eu sempre ando com um caderninho na mochila quando pego o trem, já com a certeza de que alguma história boa pode acontecer a qualquer momento e eu vou precisar anotar pra não esquecer depois.

O problema é que eu sempre esqueço de anotar, e acabo esquecendo de muita coisa bizarra pra contar aqui :-D

Bom, esses dias eu peguei um trem que tinha um maquinista muitíssimo empolgado. Provavelmente era o primeiro dia de trabalho do camarada, depois de ter ficado desempregado uns 3 anos e descoberta que a mulher era lésbica e o filho gay, além dele ter comprado um sapato menor que o próprio pé. Ele estava muito feliz quando anunciava as estação: “ESTAÇÃÃÃÃOOOOO BRÁÁÁSSSS!!!!!!! DESEMBARQUE PELO LAAADOOO ESQUERDO DO TREMMM!!!”. Só faltou soltar um “iupiiiii!!” depois disso.

Essas pequenas coisas podem animar o dia, não? Acho que todos os maquinistas tinham que fazer curso tipo de animador de festa de criança, ou talvez contar umas piadas no meio do caminho. A viagem seria mais divertida.

Aí no mesmo dia a noite, encontrei um rapaz que vira e mexe vejo ali pegando o mesmo vagão. O interessante é que eu tenho CERTEZA que ele estudou comigo no colégio (na verdade ele é um ano mais velho) e que ele pegava a perua da Dona Gervacy comigo (a Dona Gervacy era casada com o Seu Gercy, pasmem!). Eu não conversava muito com ele, mas lembro que ele faz aniversário no mesmo dia que a minha irmã e também lembro da gente tacando ovo e brigadeiro na cabeça dele no aniversário. Ê criançada!

O detalhe é que eu também tenho certeza que ele lembra de mim, mas nós dois fingimos que não nos demos conta disso, só pra não rolar aquela obrigação de puxar papo. Cada um fica no seu canto e fica tudo certo. Quem sabe um dia que eu estiver certo que nunca mais vou pegar aquela linha, aí talvez eu pergunte se é ele mesmo. Ou não.

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Minhas neuroses

Publicado por oitopassos em Maio 7, 2008

Todo mundo tem algumas neuroses. Eu acho que você só conhece profundamente uma pessoa quando você já conhece suas neuroses.

Como minha vida online é totalmente pública, vai aqui uma chance de vocês me conhecerem melhor. Algumas de minhas neuroses no trem:

1 – Fico impaciente quando alguém apóia na barra com o braço esticado na horizontal, atravessada na frente do seu corpo. Pra mim, todo mundo deve apoiar com o braço esticado na vertical, levantado. Isso porque quando alguém se apóia com o braço na horizontal, me sinto como se estivesse preso. O espaço fica limitado e a pessoa ocupa uma área muito maior, atrapalhando tudo! Começa a me dar siricutico quando vejo alguém assim.

2 – Outra coisa é quando sentam ao meu lado e encostam a perna na minha. Se for um conhecido, não tem problema, mas pessoas estranhas roçando a perna em mim não é algo que me agrade. Já cheguei ao ponto de ir para o outro canto do trem e ficar de pé, só por causa disso. Acho que isso é uma coisa meio européia, de não gostar que nenhum estranho tenha contato físico com você.

Outro dia, com o trem vazio, meu pai encostou as costas numa barra e começou a ler. O outro camarada veio, encostou as costas na mesma barra, colando no meu pai. Não é possível que alguém faça isso e não se incomode!

3 – Você está sentado e como bom samaritano que é, se oferece para segurar a bolsa da mulher na sua frente, talvez para livrar da sua consciência o fato de que você não está nem aí se ela está de pé ou não. A mulher agradece e tudo estaria muito bom se acabasse aí. Mas ela decide que deve recompensar sua boa ação do dia puxando papo com você, falando de como o trem está cheio, como demora pra chegar no trabalho e qualquer outra coisa que você não queria ouvir…..
Se toca! Não quero conversar, por isso comprei um MP3. Se eu quisesse um amigo, o trem seria o último lugar que eu procuraria.

4 – Mas nada, eu digo NADA pode ser mais irritante do que alguém cantando baixinho junto com o mp3. A vontade de pegar pelo pescoço o sem vergonha que faz isso é enorme. Muitas vezes eu nem estou ouvindo a pessoa cantar, mas o simples fato de saber que ela está fazendo isso me incomoda.

Será que isso faz de mim um tiozão chato? Nem ligo.

E você? Quais suas neuroses?

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